Empresa urussanguense trabalha com reaproveitamento de cerâmica
March 7th, 2008
Santa Catarina é um pólo produtor de revestimentos cerâmicos do Brasil, respondendo por 30% da produção brasileira e 70% das exportações. Aqui estão instaladas as maiores e as mais modernas fábricas de cerâmicas do país, concentrando-se na região sul do Estado, nos municípios de Içara, Criciúma, Cocal do Sul, Urussanga, Tubarão e Imbituba.
Em Urussanga, através de uma iniciativa diferenciada, Alexandre Silva, Diretor Operacional da Stylo Revestimentos Ltda, localizada no bairro Estação, deu início ao processo de reaprovei-tamento de gress porcelanato e porcelanatos.
A Stylo iniciou suas atividades em setembro de 2007, e conta hoje com 10 funcionários, mas segundo Silva, esse número deve aumentar em breve.
Segundo Silva “Urussanga e região, é um pólo cerâmico muito forte e toda a produção das indústrias tem um percentual de descarte muito grande, o chamado “caco” ou “popular”. Normalmente são peças com defeitos, como quebras de canto, pequenos empenamentos, problemas de queima entre outros.
Nossa empresa se propôs reaproveitar este material de descarte, através da reciclagem, de forma coerente e correta”, afirma. “Nossa proposta está ainda em fase de desenvolvimento, pois ainda há muito a ser feito. Compramos o gress porcelanato e o porcelanato,classificamos, dimensionamos o melhor aproveitamento das peças, fazemos o recorte necessário, reproces-sando a mercadoria. Por exemplo, uma peça adquirida no tamanho 41 x 87 cm, pode ser recortada, por exemplo, no tamanho de 14 x 50 cm.”
Silva ressalta que a Stylo reprocessa o material não para ser vendido em grande escala, mas para venda direta ao consumidor final, por isso, o produto é exclusivo, produzido de acordo com o projeto de cada cliente. Para atender a demanda, possui uma equipe de vendas que visa atender obras, normalmente pequenas, pois o objetivo não é trabalhar com grandes metragens de revestimentos e pisos, mas sim com venda e projeto exclusivo.
“Temos uma arquiteta, que presta serviço à empresa, e desenvolve o projeto dos revestimentos e pisos de casas, apartamentos, salas comerciais, bares e restaurantes. É montado um projeto de acordo com a mercadoria disponível, e, é claro, com o gosto de cada cliente, assim podemos dizer que comercia-lizamos projetos”, conclui Silva.
Atualmente a empresa atinge o mercado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente a Grande Porto Alegre, no entanto, a intenção é abranger um mercado bem maior, visando o aproveitamento do material descartado. Segundo o Diretor Operacional, um dos maiores problemas que tem enfrentado em Urussanga, é a falta de mão-de-obra especializada, tanto na área de produção como na etapa final – a colocação das peças. Outro problema tem sido a falta de uma área física adequada para a instalação de uma empresa, que como a Stylo, se propõe a reprocessar e reaproveitar o material de descarte. Aponta como solução destes problemas a formação de parcerias, o que leva a uma sensível diminuição do investimento. Ressalta que “É interesse da empresa, criar parcerias com prestadores de serviços, pois não necessário que uma única empresa faça todo o ciclo de produção, através de parcerias, cada uma faz uma etapa, o que agiliza o trabalho e diminui custos.
Em relação à mão-de-obra qualificada para a colocação do material produzido, Silva afirma que a Stylo propõe duas alternativas: a venda do material agregada à colocação ou apenas a venda do material escolhido pelo cliente, ficando por sua conta a colocação.
Para proporcionar mais opções a seus clientes, a empresa está buscando uma parceria com o CDL, para promover um curso voltado aos colocadores de gress porcelanato e porcelanato, com o objetivo de aperfeiçoar a mão-de-obra local. O curso ainda não tem data prevista, está em fase de negociação, mas a princípio as pessoas interessadas podem procurar a Stylo e fazer um pré-cadastro, pois dependendo do número de pessoas interessadas a data será marcada. Desta forma, a Stylo está buscando, também, qualificar os profissionais da região.
Silva ressalta que, nesta região são produzidas as cerâmicas de melhor qualidade do Brasil, motivo pelo qual a colocação também deve ser aprimorada, para proporcionar um resultado final de qualidade, e adequada ao gosto do cliente.
Está em fase desenvolvimento pela empresa, um projeto que visa o máximo de reapro-veitamento do material cerâmico descartado pelas indústrias. Hoje, além do máximo aproveitamento deste material através do reprocessamento, ainda descartamos grande parte dele. Nossa intenção é a criação de uma Cooperativa, através de parcerias, tanto com prestadores de serviços, como com empresas e indústrias que atuam no ramo, este projeto, conta com o apoio da Prefeitura de Urussanga, para a criação da Cooperativa, e tem como meta o aproveitamento dos cacos do reprocessamento: filetes e pastilhas.
Os pequenos recortes serão utilizados para pastilhamento e para a produção de artesanato. Pois segundo Alexandre da Silva, “com o material de descarte das grandes indústrias é possível fazer de tudo, desde quadros, mosaicos, adegas, móveis como tampos de mesa, bancos, aparadouros, logomarcas, entre outras tantas utilizações, dependendo apenas da criatividade e do gosto de cada cliente”. Estes “cacos” que não são utilizados nem pelas grandes indústrias e nem por nós, podem servir como matéria prima para o artesanato, além de incentivo ao pequeno artista, podem surgir obras primas, como por exemplo o mural do Colégio Caetano Bez Batti, que foi feito.
Gostaria de participar do curso de colocação de cerâmica.Obrigado.