Uso Indiscriminado de antibióticos e infecção hospitalar
April 11th, 2008
Por: Itamar J. Medeiros
Médico Ginecologista e Obstetra
Membro da Associação Brasileira de Genitoscopia
Em recente e atual surto de infecção hospitalar que está ocorrendo em hospitais de Porto Alegre/RS provocado por uma bactéria super-resistente a antibióticos, a Acinetobacter sp, capaz de agravar o já debilitado estado de saúde de pacientes graves, chama a atenção para um problema muito sério em medicina, que é a infecção hospitalar.
Infecção hospitalar é aquela que se adquire dentro de um hospital. Um paciente se interna por uma determinada doença e acaba adquirindo outra através de uma bactéria que habita o ambiente hospitalar.
Ao mesmo tempo em que se aprimoram os controles de infecção hospitalar, com a adoção de cuidados e com o uso de material esterilizado e principalmente descartável, surgem novos germes resistentes à ação de medicamentos. As causas desse fenômeno dizem respeito não apenas à biologia, mas ao uso, por vezes indiscriminado de antibióticos por parte da população.
O uso de antibióticos sem a menor indicação médica, acaba determinando com o passar do tempo um fenômeno chamado, resistência ao antibiótico. Assim, a bactéria adquire resistência àquele antibiótico usado indiscriminadamente de modo que ele não faz mais nenhum efeito sobre aquela bactéria, não curando, portanto, a doença que está sendo tratada. Isso determina gasto de tempo, dinheiro e piora do estado clínico do paciente.
Assim como os seres humanos, os germes seguem as regras da evolução das espécies. Ao longo de décadas, eles foram se modificando para se adaptar às mudanças do ambiente e resistir às investidas de seus agressores. A ação de medicamentos cada vez mais potentes induz alterações na estrutura do DNA dos germes, que resulta em mutações genéticas novas e, portanto, desconhecidas pelos cientistas.
Para impedirem a entrada de drogas em seu organismo, os germes reforçam a sua membrana celular ou criam sistema de proteção além de desenvolverem estratégias de sobrevivência em diferentes ambientes. Com a chegada dos antibióticos esse mecanismo de adaptação dos germes se sofisticou ainda mais.
Cada vez que cresce o uso de antibióticos, há um aumento da resistência dos germes a esse tipo de medicação na mesma proporção.
O problema se agrava quando há mau uso desse tipo de medicamento dentro e fora dos hospitais. É muito comum se encontrar pacientes tomando antibióticos sem prescrição médica. Ou foram indicados por uma vizinha, por um balconista de farmácia, por um amigo, pessoas sem nenhuma formação médica e que, desconhecem o modo de ação do medicamento, seu tempo de duração, seu metabolismo, seus efeitos secundários e principalmente as principais indicações. A isso se chama “empurroterapia”.
A infecção hospitalar não é sinônimo de erro médico. As bactérias, vírus, fungos e outros microorganismos são inerentes aos hospitais, assim como estão presentes no nosso corpo e por toda à parte. Eles se tornam uma ameaça em locais onde as pessoas estão mais debilitadas, como nos hospitais, e quando não há cuidados preventivos.
Portanto, cabe a cada um de nós contribuir para evitar que a infecção hospitalar e a resistência aos antibióticos ocorram. Para isso basta simplesmente cuidarmos da nossa saúde e evitarmos o uso indiscriminado de antibióticos. Sempre que for preciso, devemos procurar orientação médica.
Parabéns, gostei muito do que li, me ajudou muito com minha pesquisa de ciências . Obriigado . (:
O artigo tem grande relevância qto ao uso indiscriminado de antibacterianos, porém alguna clínicos estabelecem o uso desse grupo de farmácos sem ao menos fazer uma avaliação clínico-laboratorial mais específica, e qto a orientação que deve ser dada ao paciente não é completa, deixando o paciente promove a utilização do medicamento de forma inadequada. Porém concordamos que este não é unico ponto a ser levado em consideração quando falamos de resistência bacteriana, como foi exposto pelo autor.Entranto não devemos deixar de isentar a prática por alguns profissionais da clínica, dentro da relação citada acima. Todos nós, balconista de farmácia, farmacêuticos, médicos, enfermeiros, biomédicos e população em geral temos culpa direta ou indireta neste processo, seja com um comportamento errado ao indicar o farmáco ou mesmo utiliza-lo de maneira indequada.
Promoção de saúde é a melhor escolha, com uma conscientização geral de todos!!!