Morre catarinense que foi Ministro do Tribunal de Contas da União
July 11th, 2008
Nascido em Braço do Norte, quando este município ainda pertencia à Tubarão, Adhemar Ghisi é um dos políticos que terão uma página própria na história de Santa Catarina.
Formado em Direito em 1954, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC), Adhemar iniciou sua carreira política na antiga UDN, depois filiou-se à Arena e, posteriormente, ao PDS, PPB e PP.
Exerceu dois mandatos de deputado estadual e cinco de deputado federal por Santa Catarina.
Em 1985, foi nomeado para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União exercendo a presidência do órgão entre 1990 e 1991. Aposentou-se em 2000 entrando para a galeria de ministros eméritos do TCU e, no mesmo ano, disputou sua última eleição, pelo PP, como suplente do então candidato a senador Paulo Bornhausen (DEM).
Era casado com Sônia Balsini Ghisi e deixa três filhos: Andréia, Felipe e Carmem.
Adhemar faleceu em Lisboa- Portugal, no dia 2 de julho, aos 78 anos, vítima de pneumonia, em uma viagem de férias com sua família.
Seu corpo foi velado no Salão Nobre do Tribunal de Contas da União na sexta-feira 4/07 e sepultado no Cemitério Campo da Esperança, Setor dos Pioneiros em Brasília, Distrito Federal, cidade onde residia com sua família.
Falar da importância de seu trabalho é lembrar conquistas para toda a região carbonífera e para muitas classes sociais, dentre elas a dos trabalhadores rurais, mineiros e pescadores.
É falar da influência positiva que norteou o caminho de outros políticos e que ainda hoje serve de exemplo de boa conduta moral num país onde a imagem dos representantes do povo sofre diariamente abalos e perda da credibilidade.
Homem culto e humilde, por várias vezes Adhemar Ghisi visitou Urussanga.
Algumas vezes para divulgar conquistas, outras para participar da sempre acalorada disputa política entre Arena e MDB.
Nas fotos acima o então ministro Adhemar com o prefeito Ruberval Pilotto no ano de 1999 e no mesmo ano, sendo recepcionado pelo também ex prefeito João Luiz Piva.
Pronunciamento da filha de Adhemar Ghisi - Andréa , na missa de corpo presente em Brasília- DF.
Cada um dos aqui presentes tem sua própria visão do Adhemar, do Ghisi, do profissional, do político, do homem público, do pai, do companheiro, do irmão, do parente, do amigo….E devem gostar dele…caso contrário não estariam aqui…além disto, eu nunca soube de ninguém que, mesmo não gostando dele, não o respeitasse….
Para os colegas da Assembléia Legislativa, Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União, podia ser um colega…um companheiro de lutas ou um opositor respeitável nas tribunas…
Para os amigos, pode ser lembrado como o seresteiro, o orador dos principais clubes de Tubarão, o organizador dos campeonatos de bocha, o camarada que acabava as madrugadas declamando “O Marrueiro” e o “Futebol da Bicharada”…
Em sua vida pública, com seus dois mandatos como Deputado Estadual, cinco como Deputado Federal e posteriormente como Ministro do Tribunal de Contas da União, ficou evidente sua preocupação com o Social, com os assuntos previdenciários e a garantia de uma velhice tranqüila para os menos favorecidos…Este foi um mote em sua vida…Para os idosos, ele foi quase um arrimo…um pai…aquele que revia todas as contas das pensões e aposentadorias. Deve ter sido esta a razão de ser até hoje o adorado dos Ex-combatentes da 2ª Guerra, dos ferroviários, dos pescadores artesanais e dos trabalhadores do carvão. Foi o precursor da previdência do trabalhador rural e lembrou também dos religiosos, que passaram a ter previdência social…
Para os eleitores, foi aquele que nunca deixava uma carta sem resposta… Aliás, esta foi uma lição que ele me ensinou quando eu era menina: Nunca deixar ninguém sem resposta: “Tente sempre ajudar, mas se não der para atender, diga que não foi possível e explique o porquê”…
Mesmo aposentado, não “vestiu o pijama”, continuava como um “Embaixador do Sul”. Acordava todos os dias e colocava o terno. Saia para resolver uma série de pedidos e solicitações. Como não tinha mais a estrutura do gabinete, contava com o apoio dos Ministros e servidores do TCU. Quantos tão amigos e dedicados!!! Gastava do próprio bolso com ligações, correspondência, o que fosse necessário, para atender ao seu povo. Quando eu dizia para cuidar mais da sua vida pessoal, viajar e passear com a mãe e os netos, que sua missão pública já estava encerrada, ele dizia que tinha um compromisso, que se estava onde tinha chegado foi pelo apoio e carinho deste mesmo povo. Meu pai trabalhou até o último momento!
Para suas irmãs, Hermy, Sirlene e Maria Izabel, e para a família do saudoso tio Márcio, sempre será lembrado como o amigão, o irmão mais velho, o conselheiro, o pai…Foi o filho querido da Dona Hermínia, mulher forte, uma “italiana” batalhadora e combativa…e do Attílio, sorridente… meu bem-humorado “Nono”… Com eles lutou para construir e estruturar o Grande Hotel da Guarda…Ainda garoto Adhemar buscava os hóspedes e suas bagagens na Estação de Trem, além de ajudar como garçon no refeitório do hotel…. Isto, enquanto cursava o primário na escola local, ou mesmo nas férias, já cursando o ginásio na cidade de Laguna.
Sua vida de advogado, formado em Porto Alegre em 1954, e a posterior atuação como Advogado Criminalista (onde, diga-se de passagem, nunca foi derrotado em um Júri) o tornou um dos grandes “partidos” de Santa Catarina e sempre convidado para falar nos eventos…. Foi como orador do Clube 7 de julho da cidade de Tubarão, que conheceu a Debutante Sônia Mattos Balsini, de Criciúma…Conta ela que, naquela noite, “ficou nervosa” com aquele “homem mais velho” piscando para ela, enquanto saudava as Debutantes da tribuna da Diretoria do Clube….
Meses depois, o “homem mais velho” apareceu num internato em Porto Alegre, onde a jovem Sônia estudava, com flores nas mãos e poemas na ponta da língua, para dizer que sabia, quando a viu, que um dia ia se casar com ela…
E daí….viemos nós…….Andréa, Felipe e Carmen.
Para os filhos, o Ghisi sempre será o da mesa de jantar, marcado pelo bom humor e pela segurança moral que nos legou… Lembraremos do Ghisi dos trocadilhos “infames”, que sempre repetia como se fosse a piada do momento….Para nós ele é alegria, é companheirismo, é confiança….é um Norte!!!!! Será sempre um Porto Seguro!!!
Depois do Jornal Nacional, o Ghisi, deixava sua alma livre….Era o momento em que se tornava o “ Nono” (o avô “ corajoso” do Guilherme, da Letícia, do Bernardo e da Sofia), que ajudava os netos a procurar no jardim um inimigo imaginário cujo codinome era “Gato Bobão”…
Este o Nosso Ghisi!!! Que entre tantas facetas, se referia à sogra como “minha filha mais velha”… Era o companheiro do Felipe e da Thaís nos encontros na Praia da Tereza… conselheiro-pai do Bernard, amigão da Carminha… companheiro de bocha e discussões políticas do Álvaro…Vô-herói do Guiga, da Letícia, do Bernardo e da Sofia, seus netos muito amados…O alma-gêmea da Sônia… Nunca vi um casal tão integrado, apaixonado e tão amigo!!! Respeito, admiração e carinho…
Para mim, Andréa, é o meu pai….e ele é mais que isto: é a minha base, é a minha segurança, é o meu prumo, o meu grande Amigo!!!
Como pai, sempre foi aquele que ouve, que conversa, que pondera, mas não tornava nada um “Assunto de Estado”… Era aquele que liberava, mas cobrava…que dava força, mas queria saber no que deu, que confiava, mas criticava, que não era bobo, portanto, sempre via e sabia, e , se quisesse, fingia que não tinha visto e que não sabia….
Lembro do joguinho de cozinha que ele me deu quando tive sarampo…Lembro da família inteira “acomodada” dentro de um Fusca 67 quando ele decidia parar no meio da viagem de Floripa para Criciúma para comprar uma caixa de siris (vivos!!!) e os colocava “sentados” conosco, no banco de trás…Lembro dele, orgulhoso, no meu Baile de Debutantes…do seu olhar quando os netos nasciam…de sua alegria quando os filhos chegavam para as festas e a mesa lotava…
Volto no tempo e me lembro do início da vida política, quando desaparecia por dias no interior de Santa Catarina, no tal fusquinha, e voltava exausto, cheio de lama dos atoleiros da BR 101…. Era uma época em que política se fazia com obras, com atenção às pessoas…nunca vi ele gastar numa campanha, só se fosse para fazer uns “santinhos” com o número da chapa e gasolina para circular pelos municípios…Papai voltava para casa de madrugada, cheio de bilhetes com pedidos nos bolsos. Mal nos via e, pela manhã, a casa já estava lotada com pessoas procurando ajuda…Ele acordava disposto e feliz. Atendia a todos com alegria. Parecia mesmo uma missão. E, agora estou certa, Era!!!
As campanhas sempre coincidiam com as Copas do Mundo. E, ele adorava futebol!!! Eu ficava com peninha, pois ele queria ver os jogos conosco, em casa, mas nem sempre era possível. Rubronegro doente, a última vez que falou comigo foi de Portugal, ligando para saber o resultado de um jogo…O Flamengo ganhou!!! Ainda bem!
Gostava de festas, gostava de gente, gostava de conversar…Era um “gentleman”….Isto era natural nele. Tinha o dom de conquistar as pessoas. Era um homem agradável, de conversa interessante, com uma educação inata…
Religioso, meu pai não perdia as Missas de domingo na Perpétuo Socorro…na saída da missa sempre comprava e levava para casa uns biscoitinhos que uma senhora vendia na porta…chegava em casa feliz! Devoto de Santo Antônio, foi falecer na terra natal do Santo…
No fundo, acho que meu pai foi um dos melhores e mais verdadeiros espécimes de sagitarianos que Deus colocou na terra…Um daqueles que montam num cavalo branco e saem pelo mundo em defesa dos necessitados…. que abraçam uma causa e vão até o fim…
Orgulho tenho eu, por ter sido gerada por um Centauro tão nobre….
Pai,
Peço a Deus te acolha com muito carinho!
TE AMO MUITO!!!
NÓS TE AMAMOS MUITO!!!
Andréa



Nao nos conformamos com a perda de nosso querido primo e amigo. Nossos votos de soledariedade e carinho estao com Sonia, Andrea, Carminha, Felipe e toda a familia.
“Ja nao poderei mais ligar para ele, e escutar sua voz emocionada e alegria quando recebia minhas ligacoes de New York, de quando conversavamos perdendo-nos no tempo… esqueciamos que a ligacao era internacional.
Sua filosofia de vida, presenca marcante, confianca que me inspirava, suas palavras de consselho, seus cartoes de Natal, sua voz alegre e descontraida, seu “free spirit” ficarao comigo para sempre. Era a base que ligava-me a nossas familias, porque como resido em New York ha 40 anos, pouco conheco meus familiares. Ele sempre com orgulho da familia, me colocava a par dos acontecimentos, dava-me os dados familiares para que eu completasse a arvore geneologica da familia Paladini. Quanto feliz era quando vinham os netos, quando falava de seus filhos e Sonia com carinho. Sinto que perdi base, que me ligava a familia, mas ele estara sempre em meu coracao.
Meu querido primo, que Deus o tenha a Seu lado, num lugar muito especial, onde somente pessoas maravilhosas como Tu, podem estar. E te prometo em finalizar a arvore geneologica da Familia Paladini, que ha anos comecamos. Minhas oracoes estao contigo, Sonia, Adrea, Carminha e Felipe”.
Terry Paladini-Baumgarten
355 South End Avenue, 31J
New York, NY 10280
E:fratellipaladini@aol.com
Apenas o sobrenome e o sangue me fez encontrar o ‘primo rico’ - sou da linhagem dos Ghisi e apesar de nunca ter encontrado pessoalmente o primo Adhemar, posso afimrar que as palavras da Andréia “foi aquele que nunca deixava uma carta sem resposta …. Nunca deixar ninguém sem resposta: “Tente sempre ajudar, mas se não der para atender, diga que não foi possível e explique o porquê”… (que não a conheço ainda - espero um dia encontrá-la em Santa Catarina quem sabe) são verdadeiras nos eu teor e significado.
Pois, sendo eu adolescente sempre ouvi falar de um ‘primo’ que representava muito bem a força e perserverança e humildade que a família Ghisi deixou como herança à sua descedência de italianos no Brasil. Pois, da linhagem de trabalhadores rurais, Adhemar foi um sinônimo da conquista de uma vida digna para si e para muitos.
Apenas em 2006 tomei coragem e telefonei ao ‘primo’ e me certifiquei que as história era verídica, pois, o mesmo me atendeu com humildade de um ‘nono’ e me orientou naquilo que precisava (não só me orientou como pediu desculpas por não poder fazer algo mais), do homem público guardarei como recordação o bilhete autografado, do parente a foto e as palavras escritas de demonstram sua consideração e preocupações com seus familiares ‘mesmo que de uma linhagem distante’…
Certo de que ele servirá como exemplo para que possamos acreditar que a recompensa vem aos que vive uma vida digna de conduta moral e cívica.
A todos seus filhos, netos e esposa meus sinceros sentimentos.
Jose Ghisi Junior