Empresas disputam técnicos e contratam estudantes para garantir mão-de-obra
December 5th, 2008
A partir desta semana, Panorama SC inicia uma série de reportagens sobre as dificuldades, os projetos e as perspectivas daquelas que são uma das molas mestras da economia e do desenvolvimento social: as indústrias e empresas de Urussanga e região.
E iniciamos por um tema contraditório se analisarmos o grande espaço dado às crises econômicas geradas por problemas mundiais e até mesmo por catástrofes naturais como foi o caso do rompimento do gasoduto em Santa Catarina, causando paralisação de cerâmicas e gerando grandes prejuízos. Vamos iniciar pelo fator mais importante de uma empresa ou de uma indústria, sem o qual nenhuma delas conseguiria sobreviver mesmo em épocas favoráveis: o funcionário, o profissional especializado.
E, por incrível que pareça, as empresas de Urussanga vivem uma crise neste segmento.
Mão-de-obra especializada parece ser a grande deficiência do mercado regional.
Enquanto universitários de vários cursos colocam seus diplomas embaixo do braço a procura de empregos, há empresas que sentem a falta de profissionais capacitados no mercado e incentivam, através de suas associações, a formação de técnicos.
Isso se dá com maior frequência nas áreas de mecânica, eletrotécnica, eletromecânica, designer, cerâmica, plástico, segurança do trabalho e automobilística (mecânica de automóveis, caminhões e máquinas pesadas).
Segundo a Diretora do Colégio Monsenhor Agenor Neves Marques -Stela Maris de Agostin Talamini (colégio onde são ministrados cursos profissiona-lizantes em parceria com a SATC/SENAI), a procura por profissionais técnicos é muito grande. “Nossos alunos estão na primeira fase do curso e as empresas já estão disputando para contratá-los”, afirmou Stela.
Essa deficiência pode estar baseada no fato de um diploma de técnico não ser considerado, pelos jovens, tão importante quanto um título de bacharel ou de Doutor.
Na verdade, a grande diferença entre o estudo universitário e o profissionalizante está no tempo de estudo e na disponibilidade do mercado.
Os cursos profissionalizantes são bem mais curtos e nascem para suprir uma necessidade das empresas e indústrias. Diferente das universidades, onde os jovens escolhem uma profissão e, após quatro ou cinco anos, precisam disputar uma vaga de emprego com salários nem sempre condizentes com os investimentos feitos no estudo.
E entrar no mercado de trabalho realmente deve ser a razão de termos tantos profissionais com diplomas universitários atuando em áreas bem diferentes daquelas na qual conseguiram graduação.
Vencer a barreira do preconceito contra os técnicos pode ser a oportunidade de resolver dois problemas de uma só vez: a deficiência de mão-de-obra especializada e a dificuldade de o jovem conseguir seu primeiro emprego.
Segundo o presidente da Associação Industrial e Comercial de Urussanga- Gilmar Menegon, a falta de mão-de-obra especializada é um problema que vem sendo enfrentado por diversos associados da entidade.
Em pesquisa realizada no mês de setembro deste ano com o objetivo de levar as reivindicações da classe aos candidatos a prefeito, a ACIU constatou que entre os pontos positivos apontados está a qualidade da mão-de-obra disponível, mas que 62% consideram a indisponibilidade de mão-de-obra qualificada um entrave para as suas atividades.
Neste documento apresentado aos candidatos a prefeito de Urussanga, constavam como sugestões para resolver o problema: a implantação de aprendizagem industrial e cursos técnicos nas áreas de atividade industrial em potencial do município. A criação de projetos para atrair mão de obra de outros municípios e regiões para Urussanga/SC, e também o retorno dos próprios munícipes.
A implantação de conjunto habitacional para maior oferta de moradia aos trabalhadores, possibilitando que profissionais de outros municípios possam fixar residência em Urussanga e, ainda, a implantação de creche comunitária possibilitando uma maior participação feminina no mercado de trabalho.
Respostas para estas questões certamente serão dadas pelo prefeito reeleito Luiz Carlos Zen na noite desta quinta-feira 4/12, quando o mesmo participa da reunião em comemoração aos 35 anos da ACIU.
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