Pilulas
December 5th, 2008
Por
Sergio Maestrelli
- Constatamos recentemente o quanto continua frágil a “conscientização ambiental”, tanto para a velha, quanto para a nova geração. Observamos alunos de uma tradicional escola de Urussanga, com uma grande folha de serviços prestados à educação de nosso município, simplesmente jogando sacos de salgadinhos pela rua César Mariot. Alguns milhares de reais já foram aplicados na educação ambiental e os avanços são pífios. Vivemos numa região com forte tradição de desrespeito ao meio ambiente. Talvez necessitemos inverter um pouco o fluxo de reais. Investir um pouco menos em educação ambiental e aplicar a legislação retirando reais do bolso dos infratores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Está é a fórmula do chamado “primeiro mundo” para se impor respeito à natureza. Como afirmou um cacique indígena norte-americano: “o homem vive apenas 60-70 anos. É o máximo que a natureza pode suportar”. Este terreno é árido, porém precisamos continuar semeando.
- Ocorre hoje na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga a última reunião do COMDRU – Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. Na agenda, um balanço das principais atividades concretizadas em 2008 e o início da discussão das prioridades para o ano que vem.
- Tivemos que neste final de semana forçosamente transitar pela BR 101 no trecho sul e trecho norte. No trecho norte, ficamos impressionados com a quantidade de remendos no trecho duplicado. Na mente nos veio a letra de uma antiga canção sertaneja “aquela colcha de retalhos que tu me deste…” Como explicar uma obra, relativamente recente, estar tão deteriorada? Já no trecho sul, no Morro dos Cavalos, uma barreira interrompeu o trânsito pesado na BR 101 por oito dias, provocando o estacionamento de centenas e centenas de caminhões. Ficarmos oito dias refém de uma barreira, nos parece um período excessivamente longo. Fica evidente que o país não dispõe de uma estratégia para enfrentar situações de emergência ou de anormalidades climáticas. Se uma simples barreira que não atingiu 20 metros de pista coloca em nocaute todo o sistema de transporte rodoviário, imagine se entremos numa guerra…
- Porém o fato positivo de tudo isto, foi a localidade da Enseada do Brito. Se você cidadão, tem tino cultural, desvie o seu veículo da BR 101, no ponto que esteve interditado e trafegue pelas ruas de calçamento da Enseada do Brito. São 258 anos de história, igreja e construções açorianas. Simplesmente imperdível. Uma aula do que representou a imigração açoriana para o litoral catarinense. De São Francisco do Sul a Laguna, magia e cultura. É a valorização do “manezinho da ilha” com seus usos, costumes, tradições e estilo de vida. As demais etnias têm muito a aprender com a etnia açoriana.
- A Associação Veneta de Santa Catarina com jurisdição em todo o estado e com sede em Urussanga realiza em sua sede, no próximo dia 16 de dezembro às 19:30 horas, a sua assembléia anual. Em pauta o relatório das atividades de 2008, prioridades para 2009 e outros assuntos de interesse de seu quadro social. O presidente José Cargin convoca todos os associados para este encontro.
- Participamos nesta semana do ato em que foi instalada a nova sede da Câmara Municipal de Vereadores. Dois fatos nos chamaram a atenção: O excelente ambiente das novas instalações e a ausência do “vereador júnior”. Entende-se que ao se assumir qualquer missão, é preciso honrá-la com responsabilidade e cumprimento do dever. Ou então devemos evitar em aceitar tal incumbência. Seja ela de que natureza for. Ou salvo melhor juízo…
- Mais um ponto e tanto para um legítimo representante do meio rural do município de Urussanga. Nesta 6ª feira, será instalada pela Academia Catarinense de Letras em Florianópolis, a cadeira que tem como patrono o tenor Aldo Baldin. Nunca a caneta e a enxada estiveram tão próximas num evento de tão forte densidade cultural. O estado barriga-verde dá mais um passo no reconhecimento da vida e da obra de um dos mais ilustres filhos da terra urussanguense. Aldo Baldin rompeu fronteiras bem antes da Tim que se vincula “a um mundo sem fronteiras”.
ATTENTI RAGAZZI
Já passou até da hora, o momento da sociedade começar a discutir a qualidade das obras públicas, sejam elas da órbita federal, estadual ou municipal. Observe, por exemplo, as calçadas que margeiam a SC 446. Tudo se desmancha como broa. Algo está errado. Ou o pedreiro, ou os materiais, ou ambos, ou será a natureza que anda tão revoltada e vingativa assim com as obras realizadas pelos humanos?
APICULTURA MIGRATÓRIA
Apicultores do Sul Catarinense, dentre eles alguns associados da Uruapis, rumam à Serra, com a chamada apicultura migratória. As abelhas iniciam o seu “turismo” em agosto/setembro e retornam ao lar em janeiro/fevereiro. As toyotas tracionadas sobem e descem a Serra do Doze. Ganham os apicultores, ganham os produtores de frutas, ganha a população, ganha natureza.
TOMATE CENTENÁRIO
Uma família de agricultores do município de Anchieta- SC conserva sementes de tomate da variedade que denominam de “rosa”, há mais de um século. A agricultora Salete Chenet constitui um exemplo de como conservar e manejar a agrobiodiversidade. “É um tomate da época da bisnona Dosolina Sbardelotto. Da minha nonna para a minha mãe que me repassou e agora eu repasso a minha filha Fernanda. São quatro gerações”, diz ela, bastante orgulhosa. Outros exemplos de como os agricultores detêm conhecimentos a cerca da seleção e manejo de variedades locais e a importância de seu potencial agrícola, vem da comunidade do Rio carvão. Na propriedade de Aldo e Silvina Ceron, há um trabalho de resgate de diversas espécies de sementes crioulas, como milho e diversas hortaliças, afirma a extensionista Maria Cristina Cancellier da Costa, envolvida neste projeto. Pela importância sócio-econômica e ambiental, a Epagri presta apoio visando fortalecer este sistema de troca-troca de sementes entre os agricultores.
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