Empresa urussanguense lança copo biodegradável
December 12th, 2008
Ser uma empresa líder, comprometida na geração de valores e garantindo a satisfação de seus clientes, parceiros comerciais e a sociedade; além de buscar a satisfação de seus colaboradores e contribuir para o bem estar da sociedade são metas da empresa urussanguense Minaplast que, desde 1977, atua no segmento de artefatos plásticos.
Uma sociedade dos irmãos Olympio e Bruna De Villa iniciava, naquela época, uma atividade pouco explorada na região: a fabricação de máquinas para o setor plástico e também a de artefatos como copos e pratos descartáveis.
Nestes 31 anos de história, a Minaplast, através da marca De Villa, se consolidou no mercado nacional. Hoje há representantes da empresa nos estados do Acre, Roraima, Pará, Mato Grosso, Amapá, Maranhão, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Partir para o mercado externo e se inserir no movimento mundial em defesa ao meio ambiente é o passo que a empresa urussanguense já está iniciando, sendo a pioneira em confecção de produtos descartáveis que não agridem a natureza.
Para saber dos detalhes, Panorama SC entrevistou o senhor Olympio De Villa.
Entrevista
Panorama SC: Como nasceu a idéia da Minaplast?
Olympio: Na época, a minha vontade era trabalhar com cerâmica. Após algumas análises, percebi que o setor cerâmico poderia sofrer percalços no futuro e então, levando em consideração que o plástico seria o produto do futuro, resolvi entrara para este segmento fabricando máquinas para depois fabricar os copos descartáveis.
Panorama SC: A indústria nasceu, então, com a própria produção de máquinas?
Olympio: Sim, produzindo máquinas para produzir copos.
Panorama SC: E quais são os produtos feitos pela Minaplast Hoje?
Olympio: Copos, pratos, potes e tampas descartáveis, tanto transparentes quanto opacos.
Panorama SC: Sabe-se que a Minaplast está lançando o copo biodegradável. O que o senhor pode falar sob bre isso?
Olympio: O biodegradável veio para substituir, aliás, está vindo para substituir o plástico de modo geral. Porque o plástico é um produto que, como se sabe, dificilmente se dissolve, fica na natureza cem ou duzentos anos. O biodegradável é uma alternativa para termos conforto e não agredir ao meio ambiente.
Panorama SC: E quais os produtos que comporão esta nova linha?
Olympio: Nós vamos iniciar com copos para bebidas frias. Mesmo porque o material biodegradável não suporta temperaturas acima de 50 graus. Então vamos começar com copos para refrigerantes, água e outras bebidas. Para café, chocolate e alimentação quente este tipo de produto não serve. No futuro, certamente, irão descobrir técnicas para que possamos produzir toda nossa linha com material biodegradável.
Panorama SC: E a produção já está no mercado?
Olympio: Não, ainda não.
Panorama SC: E para quando é a previsão de lançamento?
Olympio: É para pouco tempo. Nós estamos desenvolvendo isso a pedido da Wal-Mart. Eles têm muito interesse em lançar este produto no Brasil, pois já trabalham com isso nos Estados Unidos e querem ser pioneiros aqui. Eles nos escolheram para fazer este trabalho, pois já fornecemos para a Wal-Mart toda a nossa linha de descartáveis.
Panorama SC: Em termos genéricos, qual a base do copo plástico biodegradável?
Olympio: Nos Estados Unidos, que ele é feito lá, a base é milho porque eles têm em abundância. Aqui no Brasil está sendo desenvolvida com a cana-de-açúcar. E já há quem produza também com a mandioca, mas parece que o custo é mais elevado.
Panorama SC: De milho para plástico. Como acontece isso?
Olympio: Esse dos Estados Unidos, o milho, passa de seu estado natural para o polímero.
Na primeira etapa eles fazem um xarope, seria um melado bastante espesso que é a sacarose. Depois da sacarose eles fazem o ácido láctico – o tal de PLA. Daí para frente eles não informam, é um segredo industrial.
Panorama SC: O senhor tem conhecimento do setor de plástico desde a produção da máquina até os artefatos. Como o senhor vê o futuro deste segmento?
Olympio: O plástico hoje é um dos materiais mais usado por todos. Eu creio que continuará sendo, mas a preocupação com o meio ambiente fará com que as empresas busquem alternativas como essa do copo biodegradável. Tanto por consciência quanto por exigência do mercado. Essa linha atual vai ter seu espaço e tem um crescimento que se calcula de 4 a 5% todos os anos, porque o consumo vai aumentando. E agora, a tendência é que essa linha biodegradável venha a substituir o plástico de hoje. Mas tem um porém nesta questão: o degradável é mais caro.
Panorama SC: E qual a diferença de custo entre ambos?
Olympio: A diferença estava em 40%. Mas isso depende muito do câmbio. Hoje, por exemplo, seria praticamente impraticável. Trazer isso dos Estados Unidos, o custo dele dobraria. Eles fornecem para a América Central, para a Europa e para o Brasil. A Minaplast é o único produtor no Brasil de artefatos de plástico biodegradável em via comercial.
Panorama SC: A Minaplast está se tornando pioneira no mercado de plástico com o biodegradável. E a mão-de-obra disponível, como está?
Olympio: Em Urussanga está difícil. Por isso há tanta rotatividade. A pessoa entra, trabalha 15 ou 20 dias, simplesmente dá um adeus e cai fora. É muito difícil encontrar aqui pessoas para trabalhar.
Temos muita dificuldade com mão-de-obra.
Panorama SC: O senhor, que é um industrial bem sucedido, já foi agente público, fundador da ACIU e participou ativamente do desenvolvimento, que análise faz de Urussanga hoje em questões administrativas e de infra-estrutura?
Olympio: A questão administrativa, na prefeitura, parece que está indo mais ou menos bem.
Já esteve pior. O desenvolvimento, podemos ver muitos prédios em andamento que antes não tinha; com relação à indústria temos várias se desenvolvendo em São Pedro e creio que há um impulso sendo dado. Por isso, talvez, também estejamos com tanta dificuldade de pessoas para trabalhar.
Panorama SC: E, para finalizar, que mensagem o senhor deixaria aos urussanguenses?
Olympio: Eu deixo um alerta para a juventude. Acho que eles deveriam buscar algo além do ensino tradicional, um curso técnico, de especialização em alguma área.
O ideal é que todos tivessem formação completa nas escolas tradicionais, mas o curso técnico é o que garante emprego. É comum o engenheiro se formar, o advogado se formar e depois ficar ai matando cachorro a grito, por assim dizer, porque não tem mercado de trabalho.
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