Problemas sociais aumentam o número de ocorrências policiais
June 19th, 2009
“Há uma torneira aberta, nós estamos apenas enxugando o chão e a torneira permanece aberta.” Foi com esta frase que o Tenente Valdeci Oliveira da Silva sintetizou, em seu pronunciamento na tribuna da Câmara de Vereadores de Urussanga, o problema de violência vivido pela sociedade nos dias atuais.
A má distribuição de renda, a pobreza, a falta de acesso à educação, a perda de valores, os conflitos familiares, o uso de drogas e também uma legislação que limita a ação da justiça aos menores infratores são fatos que sociólogos consideram entraves para a diminuição dos índices de violência no Brasil.
Diferente de países onde os conflitos assumem caráter religioso ou filosófico, a violência no Brasil é considerada resultado da ausência do Estado nos setores básicos para garantir cidadania e, ao mesmo tempo, uma incapacidade governamental de se fazer presente para reprimir a crescente escalada do terror.
Em Urussanga, Tenente Valdeci afirmou que a situação está sob controle e que os problemas existem mas os órgãos reponsáveis pela segurança pública estão fazendo a sua parte. “Com relação a Polícia Militar nós tivemos uma evolução, quando cheguei aqui há quatro anos a Polícia Militar contava com apenas 16 homens, contando com o Comandante, estávamos alocados em uma dependência imprópria para um órgão público como a Polícia Militar. E o citado imóvel estava sob ameaça de ação de despejo, uma situação bastante complicada. Desde que assumi, nós tínhamos também algumas viaturas inadequadas, à época já estavam quase inadequadas ao serviço, e de lá para cá nós tivemos diversas melhorias. Nós conseguimos alocar o estabelecimento público em um prédio bastante apropriado, todo o ônus recaiu sobre o Estado, antes era o Poder Público Municipal que fazia este custeio e conseguimos passar para o Estado. O Estado, desde há quatro anos está bancando esta locação. Tivemos melhorias com relação a equipamentos, armamentos, tivemos melhorias com relação a viaturas e com relação a efetivos, efetivo policial, que foi o mais recente, e fizemos aqui nesta Casa (Câmara Municipal) a recepção de cinco novos policiais que passaram a atuar na cidade de Urussanga. É um ganho muito grande quando comparamos a outros municípios vizinhos”, afirmou o Tenente.
Uma outra informação repassada pelo Comandante da PM foi de que 70% dos casos atendidos pela polícia não tem relação com a atividade policial e poderiam ser resolvidos com ação assistencial e com ação de outros órgãos que estão se omitindo ou impossibilitados de fazerem o seu dever.
O comércio e o uso de drogas são considerados problemas estruturais e geradores de insegurança pública, ocasionando assaltos, furtos e sequestros para manutenção do vício.
Após informar que as polícias civil e militar estão fazendo seu trabalho encaminhando à Justiça casos relacionados à drogas, o Tenente disse que ainda é preciso achar um caminho para fechar esta “torneira”. Dois trabalhos já vem sendo efetuados: os Proerds e os Consegs.
O primeiro, um programa de educação infantil para prevenção e combate ao uso de drogas e o segundo uma possibilidade de a comunidade, através de Conselhos e parcerias com órgãos públicos, buscar alternativas para a sua própria segurança.
Toque de recolher em Criciúma
Vereador Jevis aproveitou a Tribuna Livre da Câmara para alertar sobre o toque de recolher imposto por traficantes do bairro Renascer, antiga Mina Quatro. Segundo ele durante a noite moradores e comerciantes são
obrigados a ficar presos em casa para não atrapalharem a venda de droga. “Em especial o crack, que é a mais consumida e a mais devastadora. Eles determinam quando você pode sair de casa. Não é mais coisa de televisão, isso é vida real e aqui do nosso lado”, argumentou.
Segundo o pedetista a sociedade precisa se unir para atacar de uma vez por toda este problema. “A polícia está agindo, mas a ação tem que começar em casa, ser bem trabalhada. Ou tomamos uma atitude firme logo ou vamos nos complicar no futuro”. comenta.
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