Auto-medicação

July 10th, 2009

itamar Por
Itamar J. Medeiros

A morte, nos Estados Unidos, do astro da musica pop, Michael Jackson, apesar de ainda não estar esclarecida, levantou a suspeita da ingestão, pelo referido artista, de doses excessivas de medicamentos analgésicos sem a devida autorização médica, o que pode ter contribuído para a abreviação prematura de uma vida repleta de sucessos e extravagâncias. Enquanto o laudo da necropsia não é concluído, o consumo excessivo de medicamentos continua sendo cogitado como a causa da sua parada cardíaca.

A dependência de medicamentos não chama a atenção apenas em casos de grande repercussão, como este atual. No Brasil e em vários outros países, analgésicos são vendidos sem prescrição médica e sem restrições e estão, portanto, à mão de qualquer um. Cabe, então, uma pergunta: o uso indiscriminado de medicamentos analgésicos pode prejudicar a saúde? A resposta é sim.

Os analgésicos são divididos em várias categorias. A mais comum é a dos medicamentos leves, como a dipirona e o paracetamol, indicados para dor de cabeça, por exemplo. Esse tipo (leve), não causa dependência e é vendido livremente, mas alguns alertas são necessários. O paracetamol, se consumido em demasia (mais de oito comprimidos de 500 miligramas por dia), pode ocasionar lesão no fígado. No caso da dipirona, a dose máxima recomendada é a mesma do paracetamol, e apenas em casos específicos – como gripe ou febre, por exemplo. O consumo continuado por mais de 10 dias, mesmo que abaixo dessas doses citadas, também deve ser evitado. É importante sempre pedir orientação médica. Quem toma esses remédios com freqüência precisa consultar um médico ou um especialista, dependendo para que for o seu uso. Afinal a dor ou a febre são sinais de que alguma coisa está errada com o organismo.

As substâncias suspeitas da morte do astro americano são de uma outra categoria de medicamentos, mais fortes, que não são encontrados facilmente nas prateleiras das farmácias. São os opiáceos ou opióides, substância derivada do ópio. Nessa mesma família dos opióides, estão drogas analgésicas do calibre da morfina e da meperidina, como o demerol que seria usado pelo cantor. Essas drogas, além de aliviar a dor, causam euforia nos usuários, e é essa característica que pode levar à dependência.

O uso desenfreado desses medicamentos pode reduzir, com o passar do tempo o seu efeito analgésico. O paciente que usa o remédio por um tempo prolongado fica tolerante à ação do princípio ativo. Isso significa que a dor pode não passar com a dose habitualmente ingerida, e a pessoa terá, então, que aumentar as doses para conseguir se livrar da dor.

Os opióides, no entanto, tem um papel preponderante em vários casos. São prescritos, por exemplo, a pacientes com câncer ou com traumas graves, como fraturas na coluna. Desde que sob a orientação médica, são essenciais em vários tratamentos.

O acesso fácil aos analgésicos ajuda a reduzir pequenas dores e incômodos do dia-a-dia, mas expõe o paciente aos riscos da automedicação, problema que pode ser potencializado nos casos de pessoas hipocondríacas. Os hipocondríacos confundem, constantemente, pequenas alterações orgânicas com casos graves de saúde e ficam muito preocupados sem necessidade. Uma dor no peito, por exemplo, que pode ser resultado de uma má postura, logo é vista como um infarto que pode levar à morte. Após consultarem médicos e não receberem o diagnóstico que esperavam, tentam resolver o problema por conta própria. Analgésicos e antiinflamatórios, leves ou pesados, surgem então na sua lista de remédios.

Cuidado, portanto, com a auto-medicação. O ideal é sempre procurar orientação médica.

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