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quarta-feira, abril 14, 2021

Ex-moradora de rua, empresária de Piracicaba cria painel de vagas de emprego em sua lanchonete: ‘sei o que é passar fome’

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Após passado de violências na infância e no primeiro casamento, Lena também arrecada alimentos, roupas e outros itens para doar à população carente, além de imprimir currículos, boletos e realizar agendamentos de serviços na internet para quem precisa.

Uma menina negra de 14 anos dormindo nos bancos da Praça da Sé, em São Paulo (SP), fugindo do próprio irmão mais velho que a abusava sexualmente dentro de casa. Esse, infelizmente, é o começo da história de Helena Maria de Jesus Oliveira Lima, conhecida como Lena Salgados em Piracicaba (SP).

Além de vender salgados a R$ 1, Lena também é conhecida na cidade pela sua generosidade com os moradores de rua e pelas ações sociais que promove para acolher famílias da região que precisam de alimentos, roupas, entre outras coisas. Mas, poucos sabem da sua trajetória até se tornar empresária e exemplo para quem a acompanha.

Nascida e criada na cidade de São Paulo, Helena interrompeu os estudos na segunda séria do ensino fundamental devido a problemas enfrentados desde a infância. Humilde, a família era composta 11 irmãos por parte de mãe.

Segundo Helena, para trabalhar a mãe a deixava com os irmãos e, um deles, começou a abusar sexualmente dela quando tinha 8 anos. Aos 14, decidiu fugir de casa com a roupa do corpo e passou a viver pelas ruas de São Paulo.

Nas ruas da grande cidade, Lena engravidou do primeiro de seus oito filhos homens, passou fome, frio e acabou se envolvendo com as drogas. Foi lá, também, onde conheceu seu primeiro marido, que a agredia constantemente.

“Levei facadas, coronhadas, pauladas e quase fui decepada. Então, comecei a fugir dele e fui parar em várias cidades diferentes”, conta a empresária enquanto mostra as marcas e cicatrizes que ficaram pelo corpo.

Helena passou por Brasília, Rio de Janeiro, Bahia, até que, aos 23 anos, chegou a Piracicaba. Na cidade, Lena acabou conhecendo seu atual marido, Nilton Cesar de Lima, que na época era filho do dono de um bar perto da rodoviária da cidade. A residência em Piracicaba já dura 32 anos.

Lanchonete de Lena e Nilton, em Piracicaba — Foto: Júlia Heloisa Silva/G1 Piracicaba

A empresária conta que aos poucos foi largando as drogas e, junto ao marido, montou uma banca no camelódromo ao lado do Terminal Central de Piracicaba, onde trabalharam por muitos anos.

“Eu costumo dizer que quem me tirou das drogas foi o Espirito Santo de Deus. Na época, eu também orava pedindo algo meu para trabalhar, até que me veio a ideia de fazer salgados”, contou.

Nova Vida

O casal iniciou a venda de salgados por R$ 1 de porta em porta, mas depois venderam o carro, a TV e o sofá para montar uma barraquinha em frente à sua casa, na Avenida Rio das Pedras.

“Foi um sucesso! Parava carros, motos e muitas pessoas para comprar os salgados. Aonde a gente ia as pessoas falavam ‘olha a Lena dos salgados’. Ficamos muito contentes”, conta a empresária.

Depois de um tempo, conseguiram um terreno do outro lado da avenida, aonde atualmente montaram a lanchonete vendem os salgados.

Ações sociais

Na lanchonete, Lena teve a ideia de atender gratuitamente a população imprimindo currículos, boletos, agendamento na internet de serviços públicos, entre outras coisas. Também montou um painel onde disponibiliza 200 vagas de empregos na cidade todos os dias.

Mural de empregos montado por Lena em sua lanchonete, em Piracicaba — Foto: Júlia Heloisa Silva/G1 Piracicaba

A empresária também arrecada alimentos, roupas, materiais de higiene e limpeza para doar a famílias carentes de Piracicaba e região.

“Peço doações para as pessoas nas redes sociais e muitas delas chegam a me bloquear, porque sempre mando mensagem. Constantemente me falam que preciso pensar em mim primeiro, mas eu não consigo”, afirma.

Helena monta marmitas para os moradores de rua e frequentemente entrega nas ruas da cidade. Também, com a ajuda do grupo de motoqueiro chamado “Jet da 19”, a empresária envia marmitas para as famílias que entram em contato com ela pelas redes sociais.

“Eu faço isso, porque eu sei o que é estar na rua, sei o que é passar fome, ficar no chão e ser ignorada pelas pessoas”, constatou.

Racismo

Apesar de realizar tantas ações pelo próximo, Helena afirma que não é o suficiente para ser respeitada por algumas pessoas por ser uma mulher negra.

A empresária conta sobre episódios em que as pessoas chegaram na lanchonete e pediam para falar com a “Lena Salgados”, já concluindo que não seria ela.

por G1

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