Imagens de crianças nas redes podem ser usadas por pedófilos; veja como protegê-las

Exposição de crianças nas redes sociais
Exposição de crianças nas redes sociais – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A prisão de homem acusado de pedofilia em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, acendeu um alerta e levantou questionamentos sobre a exposição de crianças nas redes sociais. De acordo com as investigações, além de cometer abusos sexuais, o suspeito mantinha um perfil com fotos de crianças que obtinha tanto nos perfis das mães quanto em computadores e celulares que consertava. O caso evidencia como predadores sexuais se aproveitam de perfis abertos de famílias que publicam imagens de seus filhos para abastecer círculos criminosos.

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De acordo com especialistas, as fotografias mais cobiçadas são aquelas em que as crianças aparecem sozinhas e em situações inocentes. As quais acabam sendo sexualizadas por pedófilos.

— Minha vizinha viu que a foto da filha estava lá e me ligou desesperada para saber como tiraria. Mesmo com o homem preso, levou dois meses para o Instagram remover o conteúdo. AInda mais, só fazendo isso depois de um pedido do Ministério Público — afirmou Priscila Mota, advogada que atendeu a família.

Na semana passada, o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, chamou atenção para o tema com um vídeo sobre adultização. Ele alertou que, além de crianças e adolescentes serem explorados, algumas redes sociais distribuem fotos de menores com facilidade e sem controle. Desse modo, permitindo que adultos pedófilos tenham acesso a esse material.

“Não exponha sua criança de nenhuma forma. Os criminosos, os predadores, têm mentes distorcidas da realidade. Não exponha, pois eles estão vendo algo que você não está vendo. Ninguém está vendo, mas eles estão vendo por essa ótica. Protejam suas crianças. Isso está acontecendo”, defendeu Felca.

A delegada Rafaella Parca, responsável pela Coordenação de Repressão aos Crimes Cibernéticos Relacionados ao Abuso Sexual Infantojuvenil (CCASI), da Polícia Federal, explicou que os criminosos utilizam essas imagens para criar perfis que aliciam outras crianças. Assim, montam álbuns pessoais para “admirarem” e trocam material com outros pedófilos.

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Especialistas apontam que fotos e vídeos de crianças dançando, trocando fraldas, assim como comendo alguns alimentos, como banana, ou engatinhando, são os mais cobiçados pelos predadores.

— Uma coisa que eles gostam muito é a criança tomando sorvete, lambuzada. As mães acham bonitinho e postam, mas os criminosos fazem uma projeção disso em um ato sexual — alerta a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Adolescência do Rio, criadora do protocolo Eu Te Vejo, para proteger crianças e adolescentes de crimes e extremismo on-line.

De acordo com Parca, alguns criminosos possuem desejo por imagens que não são explícitas e encontram esses conteúdos nas redes sociais com relativa facilidade, demonstrando que a exposição digital de crianças exige cuidado redobrado por parte das famílias.

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Clara Melo
Clara Melo
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