
O futuro da mobilidade urbana na Região Metropolitana do Recife (RMR) começa a ganhar forma com base nos trilhos. Seja por meio do metrô, do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ou do monotrilho. Conforme revelam as primeiras etapas do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), conduzido pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. Com projeção de investimentos da ordem de R$ 12 bilhões, sendo R$ 10 bilhões voltados exclusivamente para a expansão da atual malha metroviária. Com isso, o cenário esbarra em desafios financeiros que colocam o metrô em segundo plano e destacam alternativas mais viáveis a curto e médio prazo.
Apesar do potencial de dobrar a atual rede de transporte coletivo de média capacidade — que hoje conta com 68 km. A proposta de ampliação para 150 km até 2054 deverá se apoiar majoritariamente em modais como VLTs, monotrilhos e corredores BRT. Isso porque, além do custo elevado, a recuperação da infraestrutura metroviária existente também demandaria cerca de R$ 1 bilhão.
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Segundo o Boletim Informativo nº 4 do estudo, Recife poderá ampliar em 81 km sua rede de transporte público. Dessa forma, permitindo que o número de pessoas atendidas diariamente por sistemas eficientes quase dobre, passando de 462 mil para 839 mil usuários. Com isso, o índice PNT (People Near Transit), que mede a população que reside até 1 km de estações de transporte coletivo, subiria de 21,8% para 45,9%.
Entretanto, os projetos de expansão metroviária enfrentam obstáculos. As cinco novas linhas propostas, estimadas em R$ 2 bilhões cada, permanecem sem estudos prévios de demanda — condição que já favoreceu o avanço de outras soluções, como o VLT do Corredor Norte-Sul, orçado em R$ 698 milhões, que já conta com estimativas consolidadas.
Ainda mais, ao todo, o estudo identificou seis projetos prioritários entre os 15 inicialmente avaliados. Nesse sentido, com destaque para intervenções nas linhas Igarassu–Joana Bezerra e Oeste Derby–São Lourenço; o Corredor Norte-Sul; o Corredor BR-101; o Corredor da Avenida Norte e o da Avenida Agamenon Magalhães. Estes três últimos admitindo a sobreposição de modais (VLT, BRT ou metrô). Já propostas como a linha Cabo–Suape, a extensão Cajueiro Seco–Suape e outras linhas de trem a diesel foram descartadas por baixa demanda.
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Além disso, os desdobramentos do estudo ainda incluem a elaboração, em curso, de análises mais detalhadas por parte do Banco de Projetos, com previsão de conclusão até o fim de agosto. Essa etapa trará traçados, tecnologias, estimativas financeiras e os impactos esperados de cada proposta. Das 15 alternativas originais, quatro partiram da Prefeitura do Recife, quatro do Governo de Pernambuco e sete do Governo Federal.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu a priorização dos corredores de transporte mais eficientes. Dessa forma, destacando que a ampliação da malha representa não apenas mais mobilidade. Mas também impactos positivos sobre qualidade de vida, segurança, meio ambiente e acesso a oportunidades — especialmente para a população de baixa renda.
“A política pública de mobilidade urbana eficiente precisa ser estruturada com base em dados. Estamos falando de melhorar o uso do espaço urbano, reduzir acidentes e emissões e transformar a forma como as pessoas vivem nas cidades”, afirmou.
Em nível nacional, o ENMU projeta um crescimento de até 2,5 mil quilômetros nas redes de transporte coletivo de média e alta capacidade até 2054, somando modais como metrôs, trens urbanos, VLTs, BRTs e corredores exclusivos. Atualmente, essas redes somam cerca de 2 mil quilômetros nas 21 maiores regiões metropolitanas brasileiras.
Para o ministro das Cidades, Jader Filho, a iniciativa representa um marco no planejamento urbano do país: “Reduzir o tempo de deslocamento, com conforto e segurança, transforma a forma como as pessoas vivem, acessam oportunidades e se relacionam com as cidades”.









