Casos de intoxicação por metanol acendem alerta e expõem risco de crise

Intoxicação por metanol em Pernambuco
Intoxicação por metanol em Pernambuco – Foto: Reprodução

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância da Saúde (Cievs-PE), notificou nesta sexta-feira (3) dois novos casos suspeitos de intoxicação por metanol associado ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas no Estado. Com isso, o número de ocorrências relacionadas à substância sobe para seis.

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Um dos pacientes é do sexo feminino, residente de São Paulo, que apresentou sintomas após ingerir gin em Ipojuca. A mulher relatou diarreia, dispneia (falta de ar), vertigem, azia, dormência nas mãos e nos pés, além de sensação de formigamento na boca. Já o outro caso é de um paciente do sexo masculino, na cidade de Gravatá, que procurou atendimento em Caruaru após relatar dificuldade para enxergar depois de consumir uma bebida alcoólica destilada. Ambos estão sob acompanhamento de equipes multidisciplinares no Agreste pernambucano.

Diante da gravidade dos casos, o Ministério da Saúde, em articulação com as Secretarias Estaduais de Saúde de Pernambuco e de Sergipe, viabilizou o remanejamento de ampolas de etanol farmacêutico. Nesse sentido, que é utilizado como antídoto para intoxicação por metanol. As doses foram trazidas ao Estado pelo Grupamento Tático Aéreo (GTA) e estão sendo encaminhadas para o Hospital da Restauração, no Recife, e para o Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Ou seja, as unidades de referência para esse tipo de tratamento.

Na quinta-feira (2), a SES instaurou o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE). Desse modo, reunindo representantes de vigilância sanitária e epidemiológica, regulação de leitos, rede de urgência e emergência, além da Apevisa. O grupo vai monitorar notificações de casos suspeitos e organizar a rede de saúde para atendimento especializado. A orientação é de que pacientes com sintomas procurem os serviços de pronto atendimento, como as UPAs, para avaliação inicial. Assim as notificações serão encaminhadas oficialmente ao Cievs-PE, em conjunto com a Apevisa e o Ciatox-PE.

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Além de representar uma grave ameaça à saúde pública, a presença de metanol em bebidas adulteradas levanta preocupação sobre os impactos econômicos no setor. Historicamente resistente a crises, o mercado de bebidas enfrenta agora um risco que vai além da saúde individual: a credibilidade. A adulteração compromete a confiança dos consumidores, construída ao longo de décadas, e pode abalar a solidez de um dos segmentos mais estáveis da economia brasileira.

Enquanto isso, autoridades de saúde discutem o reforço da fiscalização. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia a criação de protocolos nacionais de monitoramento, enquanto governos estaduais e municipais já iniciam operações para recolher lotes suspeitos e ampliar as inspeções em depósitos e distribuidoras. A crise do metanol, portanto, desafia não apenas os serviços de saúde, mas também a resiliência de todo um setor econômico.

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Clara Melo
Clara Melo
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