VÍDEO: Defesa alega que ex-vereador de Tupanatinga foi dopado por vítima

Nova linha argumentativa de defesa
Nova linha argumentativa de defesa – Foto: Reprodução

A defesa do ex-vereador de Tupanatinga, Luciano de Souza Cavalcanti, de 59 anos, preso por tentativa de homicídio contra uma jovem de 23 anos, apresentou uma nova linha argumentativa no processo. Nesse sentido, ao alegar que ele teria sofrido um “surto psicoativo” após ingerir uma substância supostamente colocada pela própria vítima em sua bebida momentos antes do crime. O caso ocorreu em 6 de março de 2025, em um motel às margens da BR-423, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.

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Como parte da estratégia jurídica, os advogados do ex-parlamentar anexaram ao processo um vídeo editado com imagens de câmeras de segurança de um bar onde o grupo esteve pouco antes do crime. De acordo com a defesa, as imagens mostrariam a vítima e outras duas mulheres manipulando o copo de Luciano. O que, segundo a petição acessada pelo g1, teria provocado a alteração de consciência que resultou no ataque com arma de fogo.

A defesa sustenta que o episódio poderia configurar excludente de ilicitude, com base no artigo 28 do Código Penal. Com isso, sob a alegação de que o réu agiu sem plena consciência de seus atos. O objetivo é tentar desqualificar a acusação de tentativa de homicídio, transferindo o foco para uma possível indução de comportamento violento.

No entanto, os advogados da vítima, André César de Azevedo e Silva e Weryd Simões, reagiram com veemência à argumentação. Em nota, afirmaram que o vídeo citado não foi apresentado oficialmente durante a audiência, ocorrida na última segunda-feira (4), na 1ª Vara Criminal de Garanhuns. Eles alegam que nem a magistrada, nem o Ministério Público, assim como a assistência de acusação tiveram acesso ao conteúdo. Ainda mais, que teria sido anexado por meio de um link bloqueado, sem permissão de visualização.

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“Causa-nos estranheza que a própria defesa, segundo relatos, admita que o suposto material é ‘editado e tratado’. A divulgação de uma prova sabidamente manipulada antes de sua apresentação em juízo configura uma clara e desesperada tentativa de criar uma narrativa diversionista”, diz a nota dos advogados da vítima, que também negou ter feito uso de substâncias ilícitas naquela noite.

De acordo com eles, qualquer tentativa de inverter os papéis do processo representa revitimização e violência processual. Além de considerar a medida uma estratégia para transformar a vítima em ré. Caso o vídeo venha a ser formalmente incluído nos autos, a acusação adiantou que solicitará uma perícia técnica oficial para avaliar a autenticidade das imagens.

Apesar da controvérsia, a defesa de Luciano informou que contratou uma empresa especializada para editar o material. Dessa forma, destacando apenas os trechos considerados relevantes. Os advogados argumentam que imagens completas do dia do crime já haviam sido anexadas ao processo desde o dia 8 de março.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 6 de março, quando Luciano estava no motel acompanhado da vítima e de outras duas mulheres. Câmeras de segurança divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que o ex-vereador, trajando apenas uma cueca, saca uma arma e dispara contra a jovem. Com isso, a Polícia Civil o autuou por tentativa de homicídio, e ele permanece preso preventivamente desde então.

Próximos passos

A próxima audiência está marcada para o dia 27 de agosto, quando será ouvida uma testemunha de defesa. Nesse sentido, a depender do resultado da oitiva, os advogados do ex-vereador poderão solicitar a revogação da prisão preventiva.

Procurado pelo g1, o advogado de defesa, Joaquim Cordeiro Feitosa Neto, afirmou que não irá se pronunciar fora dos autos. Dessa forma, mantendo a linha de atuação adotada desde o início da investigação. O g1 também solicitou posicionamentos ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), mas até a última atualização, não obteve retorno.

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Clara Melo
Clara Melo
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