Retirada de turmas nas creches causa indignação

Retirada do PRÉ das creches de Arcoverde
Retirada do PRÉ das creches de Arcoverde – Foto: Júnior Marques/Mega TV

A declaração da secretária de Educação de Arcoverde, Gislaide Oliveira, de que a retirada das turmas de Pré I e Pré II das creches municipais teria sido “construída em diálogo” e “aceita pela maioria das famílias”, gerou forte reação entre pais e responsáveis. Eles afirmam que não houve acordo, criticam a falta de transparência e denunciam que as escolas para onde as crianças seriam transferidas não têm a mesma estrutura das creches, apontadas pela própria gestão como referência de acolhimento.

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As mudanças começam a valer em 2026, quando as três creches municipais deixarão de atender as turmas mais velhas da educação infantil. As crianças passarão a ser distribuídas entre escolas e pré-escolas da rede.

A Secretaria de Educação afirma que a reorganização é pedagógica, bem como ampliará vagas para bebês de 0 a 3 anos, faixa com maior demanda reprimida. Mas os pais contestam abertamente.

“Não fomos consultados. Fomos informados.”

De acordo com famílias ouvidas, a versão da secretaria não corresponde às reuniões realizadas nas unidades. Pais relatam que não participaram de qualquer construção conjunta da decisão, mas apenas receberam o comunicado.

Uma mãe do Pré II, que pediu para não ser identificada, afirmou:

“Ela disse que a maioria concordou. Mentira. A maioria repudiou. Ninguém perguntou se queríamos tirar nossos filhos daqui”.

Outra responsável critica a falta de equivalência entre as estruturas:

“A creche tem estrutura, tem acolhimento, tem equipe que acompanha desde o começo. A escola não tem sala preparada, não tem brinquedoteca, não tem espaço de descanso. Como é que uma escola que mal comporta o Fundamental vai receber as crianças pequenas?”

Há ainda quem defenda que o problema da fila de espera deve ser enfrentado com expansão da rede, não com a retirada das turmas já existentes: “Se falta vaga, constrói mais creche. Não tira as crianças maiores para jogar em escolas sem condições. Isso é empurrar o problema para outro lugar”.

Comunidade da Malhada teme perder a única escola

Na zona rural, a situação é ainda mais crítica. A comunidade da Malhada denuncia que pode ficar sem escola após ser informada de que a unidade da Fundação Terra — a única que atende o povoado — deixará de ofertar diversas turmas a partir do próximo ano.

Fabrícia, moradora da comunidade, relata:

“Minha filha estudou aqui desde a creche. Agora dizem que ela não pode mais. Mandaram a gente procurar escola na cidade. Mas como mandar crianças tão pequenas para Arcoverde? Tem criança autista. Não temos condições.”

Andréia, também mãe de aluna, reforça as dificuldades:

“Disseram que iam deixar só berçário e maternal. E que a prefeitura daria ônibus. Mas como é que uma menina de 3 anos vai sair daqui de madrugada para Arcoverde? Isso não existe.”

As famílias alertam que o fechamento parcial da escola representa um retrocesso para toda a zona rural, onde não há alternativas próximas. A distância até Arcoverde varia entre 10 e 15 quilômetros. Além disso, o transporte oferecido seria compartilhado com outras comunidades, o que pode gerar superlotação.

Moradores também questionam o uso das verbas destinadas à Fundação Terra, citando valores acima de cinco milhões de reais repassados, de acordo com consulta que afirmam ter realizado no Tribunal de Contas.

“Queremos saber o que estão fazendo com esse dinheiro. As mães merecem respeito. As crianças merecem escola perto de casa”, declarou uma das mulheres presentes na mobilização.

As mães afirmam que, caso a situação não seja resolvida, irão acionar o Ministério Público. Nesse sentido, para garantir a permanência da escola.

Insegurança e falta de diálogo marcam as duas situações

Tanto nas creches da cidade quanto na escola da Malhada, o relato das famílias é semelhante. Decisões tomadas sem consulta real, comunicação tardia, bem como falta de alternativas que respeitem a rotina e a segurança das crianças.

Pais dizem que a fala da secretária distorce a realidade das reuniões. Na zona rural, mães temem que seus filhos fiquem sem acesso viável à educação.

Pais e moradores pedem que o prefeito, bem como a Secretaria de Educação revisem as medidas e garantam que nenhuma criança seja prejudicada por decisões administrativas tomadas sem participação da comunidade.

NOTA OFICIAL – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE ARCOVERDE

A Secretaria de Educação informa que o período de rematrículas da Rede Pública Municipal de Ensino acontecerá até o dia 15 de dezembro.

A partir do dia 15 de dezembro, será iniciada a matrícula para novos alunos em todas as unidades da rede.

Reforçamos que a Rede Municipal possui plena capacidade de atendimento para todos os estudantes da localidade da Malhada, garantindo acesso à educação com qualidade e proximidade.

As unidades mais próximas da Malhada são:

Ensino Fundamental – Anos Iniciais:
• Escola São Cristóvão
• Escola Alfabeto
• Escola Adalgisa
• Escola Gumercindo Cavalcanti

Ensino Fundamental – Anos Finais:
• Escola Ivany Rodrigues

A Secretaria reforça seu compromisso com uma educação acessível, organizada e acolhedora, assegurando que todas as crianças da comunidade tenham sua vaga garantida.

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Clara Melo
Clara Melo
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