
A cidade de Pesqueira, no Agreste pernambucano, enfrenta uma reviravolta política sem precedentes após a Justiça Eleitoral da 55ª Zona proferir, nesta quarta-feira (19), sentenças impactantes. Nesse sentido, que atingem tanto a atual gestão quanto figuras centrais da oposição.
Em duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), foram decretadas a cassação dos mandatos do prefeito Marcos Luidson de Araújo (Cacique Marcos) e da vice-prefeita Cilene Martins de Lima. Assim como, a declaração de inelegibilidade do ex-prefeito Sebastião Leite Neto, além da condenação de Rossine Blesmany Cordeiro — candidato derrotado nas eleições de 2024 — e de seus aliados mais próximos.
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No entanto, por se tratar de decisão em primeira instância, todos os condenados ainda têm direito a recorrer. Dessa forma, garante a permanência de Cacique Marcos no comando da Prefeitura até nova deliberação do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).
Obra iniciada em período eleitoral levou à cassação de Cacique Marcos
A princípio, a condenação atinge diretamente o prefeito Cacique Marcos e se refere à realização de uma obra pública às vésperas da eleição municipal de 2024. A denúncia foi apresentada por Rossine Cordeiro, que acusou a gestão de abuso de poder político e econômico. Segundo a sentença do juiz Rodrigo Flávio Alves de Oliveira, a Prefeitura deu início à pavimentação de ruas no bairro Baixa Grande imediatamente após um comício político. E posteriormente, interrompendo os serviços logo após o pleito.
Ainda mais, para o magistrado, a sequência — promessa pública, início da obra de forma emergencial e paralisação abrupta — caracterizou uso indevido da máquina pública para fins eleitorais. Dessa forma, culminou na cassação dos mandatos do prefeito e da vice, além da declaração de inelegibilidade por oito anos de Cacique Marcos. Assim como do seu aliado, o ex-prefeito Sebastião Leite Neto, acusado de atuar nos bastidores para viabilizar a ação.
Apesar da cassação, a vice-prefeita Cilene Martins não teve a inelegibilidade decretada, pois a Justiça não identificou sua participação direta na prática ilícita. Já quanto a Sebastião Leite, a inclusão na condenação se deu pela sua influência na gestão atual. E sua atuação para fins eleitorais, ainda que fora do cargo.
Prefeito se mantém no cargo e confia na reversão
Por se tratar de uma decisão de primeira instância, e ainda passível de recurso, Cacique Marcos segue no cargo. Ele se pronunciou publicamente, reforçando sua confiança na Justiça. Nesse sentido, também recordou precedentes em que o TRE-PE reverteu condenações semelhantes, como no município de Taquaritinga do Norte. “Continuo como prefeito de Pesqueira, trabalhando diariamente por nossa cidade. Tenho confiança que a situação será revertida nas instâncias superiores”, disse, ressaltando também a expressiva votação que recebeu, com mais de 19 mil votos.
Sentença confirma inelegibilidade de Rossine e aliados por abuso de poder e desinformação

Ainda mais, outra decisão relevante abalou o campo político da oposição. O juiz eleitoral também julgou procedente a AIJE contra Rossine Blesmany Cordeiro, principal adversário político de Cacique Marcos. Rossine foi condenado por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o processo eleitoral de 2024. Assim, sendo declarado inelegível por oito anos.
Nessa perspectiva, a Justiça concluiu que Rossine e seus aliados organizaram uma rede estruturada de desinformação e propaganda ilícita. Com utilização de fake news, deepfakes, ataques caluniosos, bem como discursos de ódio, showmício disfarçado, além do uso ilegal da Rádio Urubá FM e da TV Pesqueira. Veículos que teriam sido instrumentalizados para fins eleitorais.
A sentença também declarou inelegíveis os seguintes aliados de Rossine:
- José Alexandre de França Ferreira (JAFF MIX – proprietário da TV Pesqueira)
- Cleiton Correia Mendonça (administrador do perfil “Direita Pesqueira”)
- Francisco Damião Lopes da Silva (Chico Lopes – apresentador das lives “Pesqueira Nua e Crua”)
A decisão afirma que o grupo manteve conteúdos ilegais mesmo após ordens judiciais de remoção. Optando por pagar multas superiores a R$ 65 mil, o que evidenciaria uma estratégia deliberada de violação das normas eleitorais. “As condutas extrapolaram os limites do debate político democrático, configurando efetivo abuso de poder e comprometendo a normalidade e legitimidade das eleições municipais de 2024 em Pesqueira/PE”, escreveu o juiz na sentença.
Embora tenha sido beneficiado pelas ações, o candidato a vice na chapa de Rossine, José Maria da Silva Campos, não foi condenado por falta de provas de sua participação direta.
Cenário político indefinido e disputa jurídica em curso

Com os dois principais protagonistas da eleição de 2024 sob condenações judiciais, o cenário político de Pesqueira permanece indefinido. Enquanto os recursos não forem julgados pelo TRE-PE, Cacique Marcos segue à frente da Prefeitura, mas com o futuro incerto. De um lado, a base do governo sustenta a continuidade administrativa; de outro, a oposição tenta se reorganizar após o revés judicial sofrido por Rossine e seus apoiadores.
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Ambos os casos simbolizam um marco para o município, que se vê diante de decisões que não apenas interferem no presente da administração pública, mas que também moldam o horizonte político até 2026. Até lá, a população de Pesqueira acompanha de perto cada desdobramento jurídico que poderá redefinir as lideranças locais. Como disse o próprio prefeito, “Seguimos firmes, com a cabeça erguida e o coração em paz, porque sei que estou do lado certo: o lado do povo de Pesqueira.”









