
O Sindicato dos Servidores da Administração Direta e Indireta de Arcoverde (Sintema) enfrenta uma das mais graves crises internas de sua história. As tensões se intensificaram após a realização de uma assembleia no dia 1º, convocada — de acordo com denúncias — de forma unilateral pelo presidente da entidade. Nesse sentido, sem autorização da Diretoria, sem divulgação oficial, bem como em desacordo com normas previstas no Estatuto do sindicato.
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A situação, que já vinha sendo marcada por divergências em torno da condução das eleições internas, ganhou novos contornos quando parte da categoria, bem como membros da Diretoria passaram a contestar a legitimidade do encontro. Para os diretores, além de ferir a democracia interna, a convocação ocorreu de maneira seletiva. Dessa forma, privilegiando pessoas ligadas à gestão municipal e deixando de fora categorias inteiras, como Saúde, Assistência Social, aposentados e pensionistas.
Diretoria rejeita assembleia e declara atos nulos
De acordo com a Diretoria do Sintema, a reunião realizada na CDL não possui validade por descumprir critérios estatutários, além de não ter sido comunicada aos próprios membros da direção, o que, para o grupo, “rasga o Estatuto” e compromete a legalidade sindical.
Dessa forma, todos os atos decorrentes do encontro foram declarados nulos pela Diretoria. Entre eles:
- tentativa de destituir a Comissão Eleitoral eleita em 29 de setembro;
- anulação de decisões já tomadas pela Comissão;
- tentativa de interromper o processo eleitoral em andamento;
- criação de uma nova Comissão Eleitoral sem respaldo legal;
- tentativa de filiação do sindicato à CSB sem consulta à categoria.
A gestão reforça que a Comissão Eleitoral escolhida pelos servidores permanece legítima e responsável pela condução do pleito.
Assembleia extraordinária contesta decisões e acusa irregularidades
Enquanto isso, os participantes da assembleia extraordinária afirmam que a substituição da Comissão Eleitoral foi necessária justamente por supostas irregularidades cometidas pela antiga comissão. Representantes da CTB e CSB estiveram presentes e defenderam que a comissão destituída teria aplicado critérios diferentes ao analisar situações equivalentes entre chapas inscritas.
De acordo com a denúncia, a “Chapa 2” teria sido mantida mesmo após ficar incompleta, enquanto a “Chapa 1” foi impedida de concorrer em condição semelhante, o que violaria princípios de isonomia e impessoalidade.
Além disso, os participantes da assembleia acusam a Comissão Eleitoral de não convocar a categoria para deliberar sobre o impasse, como determina o Estatuto, agravando a insegurança jurídica e o clima de desconfiança.
As posições conflitantes — de um lado a Diretoria, que sustenta a legitimidade da comissão eleita em setembro; de outro, a assembleia extraordinária, que diz agir em defesa da legalidade — tornaram o ambiente interno instável e nebuloso.
Com o avanço das tensões e a ausência de consenso, a crise pode resultar em judicialização do processo eleitoral, caso não haja um acordo entre as partes nos próximos dias.
“O Sintema pertence aos trabalhadores”, diz diretoria
Em nota, os diretores reforçaram que continuarão defendendo:
- a democracia sindical;
- o cumprimento rigoroso do Estatuto;
- a transparência nas decisões;
- a autonomia da Comissão Eleitoral;
- a continuidade do processo eleitoral conforme deliberado pela categoria.
Para eles, qualquer tentativa de manipular, interromper ou impor decisões unilaterais representa um grave retrocesso.
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A crise, que ocorre em pleno período eleitoral, tem mobilizado servidores de diferentes áreas, especialmente após recentes manifestações de insatisfação vindas dos setores de Saúde e Assistência Social, que também cobram mais diálogo e respeito às normas internas.
Por ora, o Sintema segue dividido, e o futuro das eleições permanece indefinido — enquanto a categoria acompanha atentamente os próximos desdobramentos dessa disputa que coloca em jogo a própria democracia sindical.









