Cemit aponta tubarão-cabeça-chata como provável responsável por ataque a adolescente

Tubarão matou adolescente em Olinda
Tubarão matou adolescente em Olinda – Foto: Reprodução

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) informou que um tubarão-cabeça-chata foi, provavelmente, o responsável pela mordida que matou o adolescente na quinta-feira (29), em Olinda. O jovem Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, brincava no mar da Praia Del Chifre quando foi atingido. E após a análise técnica realizada na sexta-feira (30), o órgão associou o caso à espécie devido à extensão e às características da lesão.

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De acordo com o Cemit, no Grande Recife existem ao menos seis espécies predominantes de tubarões. Entretanto apenas duas estão historicamente relacionadas a incidentes com mortes na região. São eles: o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. Além disso, de acordo com o comitê, o animal envolvido no caso recente pode ter mais de três metros de comprimento.

Em entrevista ao G1, a oceanógrafa Rosângela Lessa, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do Cemit, destacou que o litoral pernambucano possui grande diversidade de espécies.

“Existe um número relativamente grande de espécies que compõem a nossa fauna de elasmobrânquios aqui, mas as espécies reputadas por participarem dos incidentes com tubarões são apenas duas: o cabeça-chata e o tigre. São espécies que estão envolvidas em incidentes praticamente no mundo inteiro, onde esses eventos ocorrem”, afirmou.

De acordo com a pesquisadora, os registros no Grande Recife estão ligados, principalmente, ao deslocamento dessas espécies durante processos migratórios. Que ainda não são totalmente compreendidos. Ela explicou que a região não é considerada área de berçário nem de crescimento de filhotes desses tubarões, porém faz parte das rotas de passagem dos animais.

“Eles desenvolvem um movimento, uma trajetória de deslocamento, que passa muito perto da costa. Já existem pesquisas mostrando, por exemplo, que o tubarão-tigre pode fazer migrações transoceânicas”, disse.

Além disso, Rosângela Lessa ressaltou que a maior frequência de ocorrências em determinados pontos do litoral está relacionada à dinâmica ambiental e oceanográfica. Fatores como correntes marítimas, áreas mais protegidas e a presença de barreiras naturais, a exemplo dos recifes, influenciam o comportamento dos animais e, consequentemente, a proximidade com banhistas.

“Existem locais com uma dinâmica oceanográfica mais protegida e outros não. A barreira de recifes, por exemplo, funciona como um fator de proteção até uma determinada profundidade”, explicou.

A pesquisadora também destacou que as mudanças ambientais ao longo do tempo impactam diretamente esse cenário. Intervenções humanas, construções costeiras, desvios de rios e alterações naturais modificam a dinâmica do litoral e, portanto, afetam o deslocamento das espécies marinhas. “Tem toda uma dinâmica que, ao longo do tempo, foi se modificando também pelas construções e pelo uso do ambiente”, comentou.

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Clara Melo
Clara Melo
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