Criminosos deixam cidades sem água

Por Adelmo Lucena/Diario de Pernambuco
Somente em 2024, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) realizou 16 operações que constataram um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão por mês. Agora em 2025, em apenas uma semana, a empresa foi alvo de duas grandes ações de criminosos que deixam cidades sem água. Foi para combater esse tipo de ação que foi criada, no ano passado, a Coordenação de Patrimônio.
Um dos exemplos do tipo de crime que é registrado, foi a descoberta, no Sertão do estado, de centenas de ligações clandestinas que beneficiavam chácaras, loteamentos irregulares e plantios que recebiam a água furtada. Uma operação da Compesa, articulada pela sua Coordenação de Segurança Patrimonial de com apoio das polícias Civil e Militar, identificou e retirou as 540 ligações clandestinas. Com isso, foram recuperados 15 litros de água por segundo para o sistema.
A operação prendeu uma pessoa em flagrante por manter uma estrutura ilícita, equipada com diversas bombas, para desviar água. A ligação ilegal estava abastecendo o perímetro irrigado furtando água diretamente da tubulação que atende a um assentamento com 40 famílias. O proprietário usava a água para irrigar mais de dois hectares de culturas, incluindo cana-de-açúcar, feijão, milho e hortaliças, além de manter criações de carneiros, porcos e galinhas.
Vistorias
Outra situação que chamou a atenção das equipes foi a descoberta de duas caixas d’ água de grande volume, utilizadas para o abastecimento irregular de carros-pipa. A companhia registrou um Boletim de Ocorrência para identificar bem como punir outros responsáveis pelas irregularidades e as investigações seguem em andamento. Ao todo, foram vistoriados 35 quilômetros de tubulações nesta primeira etapa da operação.
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O cenário não é prejudicial apenas para a empresa, mas, principalmente, para a população sertaneja. Esse público já enfrenta calendários rígidos de abastecimento e precisa ficar sem água por causa da ação de criminosos. De acordo com as equipes da Compesa, o volume de água recuperado na operação seria suficiente para abastecer sete mil pessoas por mês.
A Compesa ressalta que fazer ligações clandestinas é crime, previsto, portanto, no artigo 155 do Código Penal. Por isso, qualquer pessoa pode denunciar essa situação, com a identidade preservada, pelo 0800 081 0195.
Ipojuca
Já em Ipojuca, no litoral sul, cinco criminosos encapuzados bem como armados invadiram a Estação Elevatória de Bita, renderam um vigilante e um operador e roubaram fiações, componentes elétricos, depredaram parte da estrutura física da unidade e danificaram equipamentos. Câmeras de segurança registraram os homens saindo do local com os materiais.
O crime aconteceu por volta das 19h30 da última quarta-feira (16) e, dessa forma, causou desabastecimento em localidades do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca, entre elas Nossa Senhora do Ó, Gaibu, praia de Suape, Vila Nazaré, Ipojuca (área plana), Muro Alto, Porto de Galinhas e distrito industrial de Suape. A Compesa explicou que as barragens de Bita bem como Utinga compõem o Sistema Suape. Em razão do furto, apenas Utinga está em operação, o que reduz a produção deste sistema.
A Polícia Civil registrou o crime como roubo em estabelecimento comercial ou de serviços e iniciou as investigações, que continuarão até esclarecer o caso. Por fim, mesmo com reforço na proteção da estação por meio de segurança armada, instalação de câmeras de vídeo e concertinas, os criminosos conseguiram entrar na estação. A Compesa informou que, para evitar novos furtos, vai trocar toda a fiação elétrica em cobre por alumínio, sem valor comercial.







