André Mendonça recorre a precedentes de Moraes para justificar afastamento na PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

André Mendonça afasta diretor da PF
Mendonça afasta diretor da PF – Foto: Tom Costa/MJSP

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Mendonça, que é relator do caso Banco Master no STF, atendeu a um pedido apresentado pelo partido Novo. A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes divulgar um relatório de inteligência da PF que levantava a possibilidade de direcionamento das investigações do caso contra pessoas ligadas a Mendonça.

“Inicialmente, verifica-se que o ‘documento’ é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração”, relatou Mendonça.

O ministro também afirmou que teria sido alvo de um monitoramento sistemático por parte da inteligência da corporação.

De acordo com um ofício assinado por Andrei Rodrigues, pelo menos seis relatórios teriam sido produzidos tendo Mendonça como alvo entre os dias 3 e 31 de agosto.

Disputa envolve caso Banco Master

A crise entre os ministros do STF ganhou força após Mendonça divulgar informações da “Operação Compliance Zero”, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

Entre os materiais estão mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que sugeririam uma relação de proximidade com Alexandre de Moraes.

Uma das mensagens menciona um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

Moraes, no entanto, nega ter mantido contato com Vorcaro e criticou o monitoramento realizado pela PF.

“Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, pontuou Moraes.

A decisão também gerou reação dentro da Polícia Federal. Integrantes da cúpula da corporação demonstraram indignação e consideraram o afastamento uma medida de caráter político. O diretor-executivo da PF, William Murad, declarou apoio a Andrei Rodrigues e assumiu, de forma interina, o comando da instituição. Além disso, outros integrantes da direção da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição após o afastamento do diretor-geral.

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