Artigo de opinião política: quando as disputas pessoais em Arcoverde silenciam as necessidades da vida real
Confira o artigo de opinião política por João Victor de Lira

O sistema de freios e contrapesos, pensado por Montesquieu, nunca teve como objetivo transformar instituições em arenas de confronto. Sua função era garantir equilíbrio.
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Em Arcoverde, esse equilíbrio deixou de existir.
O que se vê na Câmara de Vereadores já não é tensão política normal. É degradação. Sessões que flertam com o caos, conflitos que se aproximam do confronto físico e um ambiente em que o interesse público parece ter sido substituído por disputas pessoais.
Isso não é um episódio isolado. É sintoma.
A democracia representativa nunca foi pensada para esse tipo de distorção. Vereadores não são um corpo estranho — são reflexo da sociedade. Mas, quando a política perde sua finalidade, o que deveria ser debate vira espetáculo. E o espetáculo, por definição, não resolve problemas.
Thomas Hobbes alertava que, sem regras levadas a sério, a política tende a regredir. Não necessariamente para a violência aberta, mas para algo igualmente preocupante: a normalização do absurdo.
E o absurdo, em Arcoverde, começa a se tornar rotina.
Enquanto isso, a cidade real segue ignorada. Os problemas concretos não entram na pauta com a mesma intensidade dos conflitos. A população assiste — quando assiste — a um cenário que pouco dialoga com sua vida.
James Madison já advertia: o risco das democracias está na captura das instituições por interesses particulares. Quando isso acontece, o sistema deixa de servir ao público, bem como passa a servir a si mesmo. É exatamente esse o perigo.
A pergunta, então, não é quem está certo nessa disputa. Essa já é uma pergunta pequena demais.
A pergunta que importa é: quem está governando para a cidade?
Porque, do jeito que está, ninguém parece estar.
A imagem que fica é a de um barco em meio à tempestade, cujo comando está mais preocupado em disputar o leme do que em evitar o naufrágio.
E naufrágios institucionais têm consequência.
Por fim, a conta não chega para quem protagoniza o espetáculo. Chega para quem depende da cidade funcionando. E, neste momento, Arcoverde claramente não está.
João Victor de Lira Gomes – Advogado (OAB/BA 84.879), especialista em Ciências Penais pela PUC Minas.
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