Empréstimo bilionário expõe contradições da gestão Raquel Lyra

Maior empréstimo da gestão Raquel Lyra
Maior empréstimo da gestão Raquel Lyra – Foto: Reprodução

Após seis meses de tramitação na Assembleia Legislativa, o Governo de Pernambuco, liderado por Raquel Lyra (PSD), conseguiu enfim autorização para contratar um empréstimo de R$ 1,513 bilhão, o maior desde o início da atual gestão. O valor, garantido pela União e aprovado em setembro, foi sancionado no último dia 16, elevando para R$ 8,3 bilhões o total de recursos liberados para obras desde 2023.

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Embora o Palácio do Campo das Princesas comemore o financiamento como um passo decisivo para destravar obras de infraestrutura e gerar empregos. O anúncio também desperta questionamentos sobre prioridades, transparência e endividamento público.

De acordo com o governo, metade do valor — cerca de R$ 756 milhões — será destinada a municípios, supostamente para projetos de pavimentação e saneamento. Contudo, prefeitos e vereadores de várias regiões reclamam que os critérios de repasse ainda não foram claramente divulgados. Nesse sentido, o que abre margem para dúvidas sobre a equidade na distribuição. Já a outra metade permanecerá sob gestão direta do Executivo estadual, com promessa de relatórios trimestrais e seção específica no Portal da Transparência.

Entre as principais obras listadas estão o Arco Metropolitano do Recife — projeto que diferentes governos anunciam há duas décadas, mas que nunca tiraram do papel — e a duplicação da BR-232, no trecho entre São Caetano e Belo Jardim. Pernambuco de fato necessita das intervenções, mas a previsão de conclusão apenas para 2027 e o custo de R$ 1 bilhão apenas para o Arco reacendem o debate sobre o ritmo das entregas e a capacidade de execução da atual gestão.

A governadora comemorou a conquista afirmando que “Pernambuco tem pressa” e que os recursos “vão transformar vidas e gerar 10 mil empregos diretos”. No entanto, críticos lembram que a gestão fez promessas semelhantes em outras frentes, como saúde, segurança e educação, sem apresentar resultados proporcionais.

Elevação de grau de endividamento

Além disso, o novo empréstimo eleva o grau de endividamento do estado, num momento em que Pernambuco enfrenta dificuldades em manter investimentos regulares com recursos próprios. Especialistas alertam que, embora o crédito tenha juros baixos e prazo de 20 anos, o Governo não pode ignorar o risco fiscal futuro, especialmente diante de um cenário econômico nacional instável.

Enquanto o governo promete licitações já em novembro e início das obras em 2026, parte da população demonstra desconfiança. Afinal, entre anúncios grandiosos e prazos longos, Pernambuco realmente precisa que os gestores concluam as obras, e não apenas as contratem.

Com o novo empréstimo, Raquel Lyra não enfrentará apenas o desafio de executar as obras prometidas. A governadora precisará provar que o endividamento bilionário se traduzirá em resultados concretos — e não em mais uma lista de promessas que a gestão adia.

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