MP apura vínculos de monitor de matemática e desvio de função em Pesqueira

Promotoria aponta possíveis irregularidades em contratos temporários da Educação e recomenda que prefeitura regularize a situação em até 10 dias.

MPPE investiga desvio de função em Pesqueira
MPPE investiga desvio de função em Pesqueira – Foto: Reprodução

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar a acumulação de dois vínculos temporários e um possível desvio de função de um servidor contratado como monitor de matemática pela Prefeitura de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. A investigação também vai apurar a carga horária cumprida e a possível irregularidade no uso de recursos públicos destinados à educação.

A portaria foi assinada em 20 de outubro de 2026 pelo promotor de Justiça Sérgio Roberto Almeida Feliciano, da 1ª Promotoria de Justiça de Pesqueira. O procedimento teve origem em uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria-Geral do MPPE.

De acordo com o documento, o servidor J. R. F. T. (nome removido a pedido do envolvido) possui duas matrículas ativas para a função de monitor de matemática. A denúncia apontou que, apesar da contratação para atuar na rede municipal de ensino, ele estaria desempenhando atividades administrativas na sede da Secretaria Municipal de Educação.

Secretaria confirmou atuação na sede da Educação

Ao prestar esclarecimentos ao Ministério Público, a Secretaria Municipal de Educação informou que os vínculos do servidor decorreram da Seleção Pública Simplificada regida pelo Edital nº 001/2026. A pasta também confirmou que ele atua na sede administrativa como professor formador de matemática.

Em manifestação escrita, o próprio servidor confirmou sua lotação na Gerência Executiva de Ensino e Apoio Pedagógico. De acordo com ele, suas atividades envolvem formação continuada de professores, com base em um ofício de encaminhamento emitido pela própria estrutura da Secretaria.

Para o promotor, os documentos apresentados indicam possível desvio de função, uma vez que o servidor foi contratado como monitor, mas passou a exercer atividades de formação docente e assessoramento pedagógico na sede da pasta.

Ao Panorama, a Prefeitura de Pesqueira disse que o servidor é formado e tem licenciatura plena. Além disso, o município informou que já apresentou resposta ao MPPE sobre o caso.

MPPE questiona acumulação de contratos

Outro ponto da investigação envolve a legalidade da manutenção de dois contratos temporários para a função de monitor de matemática. O Ministério Público considera necessário apurar se a acumulação dos vínculos respeita as regras constitucionais aplicáveis ao serviço público.

O procedimento também identificou divergências entre os contratos e as fichas cadastrais do servidor.

De acordo com a portaria, um dos contratos prevê jornada de 200 horas e remuneração de R$ 4.882, enquanto o segundo estabelece carga horária de 100 horas e remuneração de R$ 2.441. Já as fichas funcionais registram 100 horas para cada matrícula e salários de R$ 2.565,31.

A Promotoria informou ainda que a Secretaria Municipal de Educação não apresentou os cartões ou espelhos de ponto solicitados anteriormente. Por isso, o inquérito deverá verificar o cumprimento das jornadas e a regularidade dos pagamentos realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), incluindo a parcela destinada à remuneração dos profissionais da educação, e do Tesouro Municipal.

Prefeitura tem prazo de 10 dias para responder a recomendação

Como parte das providências, o promotor determinou a expedição de uma recomendação ao prefeito de Pesqueira e ao secretário municipal de Educação. O documento estabelece prazo de 10 dias para que a gestão adote providências sobre a situação funcional do servidor.

Entre as medidas recomendadas estão a interrupção do possível desvio de função, com o retorno do contratado às atribuições de monitor de matemática em uma unidade escolar ou a eventual rescisão do contrato, caso não exista mais a necessidade temporária que justificou a contratação.

O MPPE também recomendou que a prefeitura regularize a situação dos dois vínculos temporários e informe formalmente as providências adotadas, com o envio dos documentos comprobatórios.

Promotoria solicita folhas de ponto e fichas financeiras

O secretário municipal de Educação deverá encaminhar ao Ministério Público, em até cinco dias, os registros integrais de frequência do servidor referentes às duas matrículas, desde a admissão, em março de 2026, até a data da requisição.

A Promotoria também solicitou as fichas financeiras mensais detalhadas, com vencimentos, descontos, bases de cálculo e indicação dos recursos do Fundeb, referentes ao período de março a outubro de 2026.

Além disso, o órgão requisitou uma cópia do edital da seleção simplificada e do anexo que descreve as atribuições dos cargos de monitor.

O inquérito civil seguirá para apurar os fatos, verificar a regularidade dos contratos e esclarecer se houve prejuízo aos cofres públicos. A instauração do procedimento e a expedição da recomendação não representam, por si só, uma condenação do servidor ou dos gestores envolvidos.

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