
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos teria sido planejada semanas antes do segundo turno das eleições, quando o parlamentar perdeu a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com relatos sobre a articulação, familiares e aliados organizaram a viagem como uma alternativa caso Flávio não conseguisse vencer a eleição.
O planejamento teria perdido força após o primeiro turno, quando Flávio terminou à frente de Lula e pessoas próximas passaram a acreditar na possibilidade de vitória. Com o resultado final, a estratégia teria sido retomada.
Eduardo Bolsonaro teria articulado a viagem
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, teria sido o principal articulador da viagem. Ele e o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo teriam mantido contatos com integrantes do governo de Donald Trump para viabilizar a entrada de Flávio e de seus familiares no país.
De acordo com os relatos, a articulação também previa apresentar uma eventual derrota eleitoral como resultado de uma suposta fraude. Até o momento, porém, não há provas apresentadas nas informações disponíveis que sustentem essa alegação.
A rota inicialmente considerada teria incluído a Venezuela. O percurso realizado, entretanto, passou pela Argentina e pelo Equador antes da chegada aos Estados Unidos.
Senador cruzou a fronteira com a família
Na noite de terça-feira (27), Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira da Argentina acompanhado da esposa e das duas filhas. As autoridades migratórias argentinas confirmaram a passagem da família.
Em seguida, o senador e os familiares embarcaram em um avião particular com destino ao Equador e prosseguiram a viagem para os Estados Unidos.
O Departamento de Estado norte-americano confirmou a concessão de vistos ao parlamentar e aos familiares.
Viagem contrasta com declaração anterior
O planejamento atribuído a familiares e aliados contrasta com uma declaração feita por Flávio na segunda-feira (26). Na ocasião, o senador afirmou que não pretendia deixar o Brasil e que cumpriria a determinação judicial para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
De acordo com as informações divulgadas, o parlamentar não apresentou os documentos dentro do prazo estabelecido. Posteriormente, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros de Flávio em seus sistemas.
A viagem ocorreu em meio a investigações que envolvem o senador no Supremo Tribunal Federal (STF). As suspeitas investigadas não representam condenação, e a existência de um planejamento prévio para deixar o país não comprova, por si só, qualquer irregularidade criminal.
Por fim, até o momento, as informações apresentadas não esclarecem se as autoridades brasileiras adotaram novas medidas judiciais em razão da viagem.







